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Não me olhe assim, com esses olhos de ressaca de quem se afogou numa vida amarga. Você equilibra o suicídio entre os dedos e as olheiras pesam e engasgam-se em suas muitas histórias para contar. E eu te almejo. Em um não almejar por ser bela, por ser triste. Por querer que complete o vazio que sinto em mim, nem porque meus monstros simpatizaram-se com os teus. Te almejo, te desejo, porque não posso tê-la. O meu sangue borbulha e faz rosas despetalarem, mas não é por isso que te quero. Te quero, e é um querer descontente. É duvidoso. Emaranhado de paradoxos. Te anseio porque um abismo nos separa e, você, do outro lado, me chamando vestida de branco, me convida a pular e, eu pulo, faço piruetas até. Não posso tê-la pois o destino debocha de nós. E você é essa família de pardais que habita em mim, e eles cantam minha vida com o caos do problema. Alto, eles cantam. Sem desafinar, eles continuam a cantar. E seus pequenos pulmões explodem de emoção quando começo a chorar, e eles rasgam e queimam em mim e eu rio, chorando. E choro por ser obrigado, e os suicidas se jogam do quinto andar porque são obrigados. A mulher que balança a cintura com graciosidade e vende seu corpo cheio de poesia, o faz, por obrigação. Somos marionetes do destino e ele ri, desdenhoso, de nós. Só os loucos me interessam, e seus cabelos despenteados e as unhas coloridas me fazem acolher sua loucura como minha. E eu poderia curar minha tontura apenas apoiando-me em ti, mas você não está lá. Embora tudo esteja escuro, consigo enxergar a sua monotonia exalando luzes dançantes nas paredes do meu eu. E atiro-me no abismo, e a gargalhada do destino é a dúvida que traz o comichão que sinto nas costas esperando que você esteja lá embaixo para sangrar comigo.

Escritor de Lanchonete.   (via sereno)

(Fonte: escritordelanchonete, via sereno)

16.set..14 Há 5 dias

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CAFE Turistas ou peregrinos:

30.ago..14 Há 3 semanas
21.ago..14 Há 1 mês
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Relacionamentos acontecem. Você não precisa força-los. Tampouco apressá-los. Pessoas ficam juntas porque querem, no momento em que decidem juntas. Querer já é muito e ajuda a eliminar algumas dúvidas. As dúvidas existem porque pensamos nelas. E tudo está sujeito ao engano. É incontrolável. Como evitar cair em relações de dependência? Seja responsável por você: pensamentos, sentimentos e atos. Parece banal, mas não é. Não tente impor ao outro sua responsabilidade com relação a você mesmo. Ele gosta de você, mas não é tão responsável por você assim. Você responde por você, ele responde por ele. Amor não se cobra. Atenção também não. Carinho muito menos. Tenha isso em mente. Não tenha a obrigação de corresponder às expectativas do outro em todos os momentos. Ele as criou. Não o obrigue a corresponder às suas expectativas em todos os momentos. Você as criou. A moeda da culpa é muito alta. Não se culpem à toa. Não usem chantagens baratas, usem as mais elaboradas, em momentos oportunos. Não somos animais de estimação: não tentem se domesticar. Não somos animais selvagens: não tentem se enjaular. Não estejam nem queiram estar presentes na vida um do outro o tempo todo. Ninguém nasce com duas sombras. E quando estiverem longe, não se liguem toda hora. Todo mundo pode esperar. Na vida é bom saber detectar o que é urgência de fato. O resto é controle. Não ligue antes de dormir para saber onde ele está com a desculpa “só liguei pra dar boa noite”. Você não é mãe dele e vocês não têm 12 anos. Só liguem quando quiser, ou precisar, e não porque ele quer que ligue. Não deixem que os monstros da comunicação instantânea assombrem. Um SMS não respondido imediatamente, uma ligação sem retorno, ficar um dia sem se falar: não foi nada! Vocês não precisam checar o celular um do outro, fuçar as redes sociais, ter acesso aos e-mails pessoais. Quem inventou essa loucura? Não se controlem a ponto de ficarem com preguiça de se ver. Não aceite ser a polícia, o juiz ou o algoz de que você gosta. Sejam, menos ainda, vítimas um do outro. Não façam planos vitalícios com ninguém. E não se culpem por isso. Conversem sobre tudo, mas não discutam todos os lados da relação sempre. Incentivem-se, mas não virem o senso de direção um do outro. Não faça surpresas demais, não agrade demais. Ele não é seu filho único. Repito, que se vocês estão juntos é porque querem estar. Isso já é tão belo. Tenha assuntos e amigos pessoais, ele não deve ser seu único assunto e interlocutor. É sempre bom ter o que fazer na vida. Trabalho e lazer. É recomendável ter muitas coisas para pensar, como ideias e viagens. Hoje você vai sair sem ele e tudo bem. Amanhã ele vai viajar sem você e tudo bem. Hoje você vai encher a cara com seus amigos. É sempre bom. Depois de amanhã vocês podem ir ao cinema juntos! Então saibam se divertir juntos. E saibam se divertir um sem o outro. Não se violentem. A tortura é uma técnica menor. Pode dormir na casa dela, mas lembrem-se: você não mora lá. Pegação não é flerte. Flerte não é paixão. Paixão não significa romance. Romance não é namoro. Namoro não é casamento. Casamento não é virar uma pessoa só. Duas bocas, oito membros, duas cabeças, dois corações, dois organismos que só se comunicam com o mundo usando verbos na primeira pessoa do plural. Isso é mutação. Briguem por motivos reais. Tenham ciúme por motivos reais. 90% dos casos os motivos não são reais. Você tem passado. Ele tem passado. Ciúme do passado é motivo irreal. Você tem seus segredos. Ele tem os segredos dele. Respeitem-se. Aprendam a ensinar que respeito não envolve hostilidade. Tudo isso não quer dizer que ele tem outra pessoa, que você se apaixonou por outra pessoa ou que vocês se gostam pouco. Tudo isso vai fazer vocês gostarem mais um do outro. Antes de você existir na vida dele ele já existia. Existir não é tarefa fácil. Tem que deixar a existência arejada, sempre, pra poder existir ao lado de alguém. Mais disposto e com mais vontade. Que bom que você chegou na vida dele. Mas ele não nasceu de novo. Tudo vai se adaptar ao novo cenário. Tenham paciência. É exercício. Tentem cortar as ilusões de domínio: não funcionam com territórios, não funciona com conhecimento, nunca vai funcionar com pessoas. Isso adia os finais trágicos das relações possessivas. E torna as relações mais inspiradoras. Essas duram mais. No pós-romance as pessoas não precisam explicar tanto. Elas estão juntas porque querem. Isso basta. Fim.

Pedro Bial.  (via garotaesuasfases)

(Fonte: expurgar, via viversentiramar)

07.jul..14 Há 2 meses
21.dez..13 Há 9 meses

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Beyoncé, Grown Woman

19.dez..13 Há 9 meses
19.nov..13 Há 10 meses
08.out..13 Há 11 meses
08.out..13 Há 11 meses
12.set..13 Há 1 ano
11.set..13 Há 1 ano